Santiago de Compostela – Caminho da costa

Na manhã do dia 7 de Agosto eu, Filipe Tavares, e Marcelo Almeida partimos com as nossas bicicletas de estrada e mochilas às costas para Espanha com o objectivo de fazer a peregrinação a Santiago de Compostela pelo caminho português da costa. Partimos de Vale de Cambra pelas 05:30h para fazer a parte mais aborrecida do percurso, a EN1 com destino ao Porto. Aborrecida porque ainda o dia não tinha nascido, estando ainda bastante fresco, e era necessário conciliar as nossas trajectórias para não acertar nos buracos da estrada e não perturbar os condutores, a maioria ainda com o seu mau humor matinal. Na cidade do Porto andamos um pouco as aranhas para tentar seguir o caminho para Santiago, mas com a ajuda das setas para Santiago e do track que tínhamos edepois de alguns enganos la conseguimos seguir caminho. Depois deste pequeno stress fizemos a nossa primeira paragem, ainda no Porto, para retemperar as forças.

A parte que se seguiu a paragem foi bastante rápida, Vila do Conde, Povoa do Varzim, Esposende, Viana do Castelo, só não sendo mais rápida devido ao vento de frente que começou a fazer-se sentir depois de sairmos do Porto e que intensificava com a proximidade do litoral. Perto de Viana do Castelo decidimos não forçar o ritmo e aproveitamos a roda de um grupo de ciclistas por alguns quilómetros para evitar males maiores. A ideia era fazer paragem para almoço em Caminha, perto da fronteira mas como Portugal ainda é grande tivemos de parar mais cedo e a praia do Moledo, já em Caminha, foi a nossa escolha.

Chegamos à fronteira já com 140Kms nas pernas e fizemos paragem forçada para atravessar a fronteira no Ferry-boat Santa Rita de Cássia. Como não havia ligação imediata aproveitamos para conhecer um pouco a Vila de Caminha até aproximar-se a hora do próximo ferry. Acomodadas as bicicletas recolhemos a uma das cabines do ferry para nos resguardamos do briol que se fazia sentir. Assim que o ferry atracou saímos disparados para que nos fosse carimbada a credencial de peregrinos para podermos seguir a nossa viagem como tal.


Já em Espanha seguimos pelas localidades de Oia, Baiona e Vigo. Fizemos uma paragem em Baiona por razões óbvias e aproveitamos para parar num mercado para comprar redbull para dar o último boost até à Cidade de Vigo, aonde iríamos concluir a primeira etapa da peregrinação. Ao longo deste percurso de aproximadamente 50 kms tomamos consciência do respeito e admiração que os condutores espanhóis tem pelos ciclistas, cumprindo sempre a distância de 1,5mts (na maioria dos casos davam mais distância) durante a ultrapassagem, bem como reduziam a velocidade para executar a mesma. Chegava a haver situações em que íamos na berma da estrada, deixando a faixa totalmente livre, e os condutores só passavam quando entendiam que tinham todas as condições para o fazer. Claro que tínhamos sempre cuidado uma vez que havia portugueses na zona, facilmente identificados pelo maior aconchego que nos davam aquando da sua passagem.


Em Vigo desviamo-nos do track para pedalar até ao alojamento e fazer o check-in. Ficamos no hostal Real que fica no centro histórico de Vigo, perto da catedral Santa Maria, uma zona com muito movimento devido aos bares que se encontram na zona. Aproveitamos ainda o dia para descontrair as pernas pela cidade de Vigo e pela zona portuária. Aproveitamos o jantar para comer comida típica da região, os famosos double whopers do Burger King.

No dia seguinte partimos para a segunda e última etapa com destino a Santiago de Compostela. Depois de alguma dificuldade em engrenar no track na cidade de Vigo, começamos a pedalar sem paragens em direcção às localidades de Redondela, Pontevedra e Santo Antoniño. Esta etapa revelou um sobe e desce constante com mais dificuldade em relação à primeira etapa mas mais interessante para qualquer ciclista. Pouco antes de chegarmos a Caldas de Reis tivemos o nosso primeiro problema mecânico, o cabo das mudanças traseiras da bicicleta do Marcelo partiu e não conseguia meter a maioria das mudanças. Seguiu limitado até Caldas de Reis onde se  conseguiu encontrar uma loja de bicicletas para lhe arranjar a bike. Por pouco mais de 5min de mão de obra foi cobrado ao Marcelo 8€ que é para ele aprender a fazer as manutenções à bike atempadamente.  Aproveitamos para almoçar nesta vila, agora sim num restaurante local com comida local.

O resto da viagem foi feito sem problemas mecânicos, apenas com o cansaço a fazer-se sentir mas que foi sendo esquecido com o passar dos kms. Pouco antes de chegarmos a Santiago tivemos um pequeno contratempo porque entramos numa estrada com passagem interdita à bicicletas, tipo variante, mas como não estávamos a ver a alternativa tivemos de fazer perto de 4kms até à saída mais próxima clandestinos. Aqui sentimos a fúria espanhola!

Para chegarmos à Catedral de São Tiago de Compostela percorremos as ruas históricas da cidade apeados devido aos muitos peregrinos e turistas que circulavam. Já junto da catedral permanecemos um pouco na praça do Obradoiro para apreciar a vista, tirar umas fotografias, junto de todos que também como nós tinham completado a sua jornada.

Antes de conhecermos um pouco mais a cidade decidimos ir para o hostal para fazer o check-in. Encontrava-se localizado a cerca de 4km do centro da cidade pelo que tivemos de deambular pela cidade à sua procura desafiando a tolerância dos espanhóis serpenteando carros, andando em contramão, nos passeios, mas não conseguimos sacar uma buzinadela! Depois do check-in feito e bikes arrumadas saímos para irmos conhecer a cidade, mas fomos recambiados para trás devido a chuva que começou a cair e nos estragou os planos. Ficamos pelo El corte Inglés de Santiago que era perto da pensão aonde aproveitamos para jantar. No manhã do dia seguinte decidimos ficar em Santiago para conhecer melhor a cidade e também para comprar algumas lembranças. Ainda tentamos ir buscar A compostela, documento que certifica que completamos pelo menos 100 kms do caminho de santiago, mas devido a fila que já serpenteava a oficina do peregrino decidimos não esperar e carimbar apenas a nossa credencial com um carimbo da catedral também na oficina do peregrino. A tarde apanhamos o comboio da estação de santiago para Vigo.

O próxima comboio de Vigo para o Porto seria perto das 9h, pelo que decidimos passar mais uma noite em Vigo e apanhar o primeiro comboio do dia seguinte. Assim fizemos check-in num hostal e aproveitamos grande parte da tarde para explorar a zona portuária de Vigo em bicicleta. Chamou-nos atenção uma capela que se encontrava num ponto mais alto da cidade, e como bons exploradores encontramos o caminho para lá. Chamava-se monte de A Guia, que tem no topo a capela com a ermida da Nossa Senhora das Neves. Este monte tem uma ampla vista sobre o mar de Vigo e em tempos as esposas dos marinheiros de Vigo acendiam fogueiras no seu topo que serviam se faróis para os guiarem para casa. A estrada que levava até ao topo do monte tinha segmento do strava que aproveitamos para o fazer no redline. O Marcelo ficou em 2º e eu fiquei 5º da geral em perto de 150 ciclistas.

No primeiro comboio do dia seguinte regressamos ao Porto e fizemos o resto do percurso até casa nas nossas bicicletas. Foi bom regressar a Portugal e sentir o acolhimento dos condutores portugueses e sentirmo-nos vivos com as trepidações que as nossas estradas nos proporcionam.

Será certamente uma aventura a repetir, fazendo o mesmo caminho ou explorando a imensidão dos caminhos que levam os speregrinos até Santiago de Compostela partindo de várias zonas, quer seja a pé ou de bicileta. Ou a correr…O intercaimabike tem-se mostrado bastante ativo com a participação na resistência de Arouca, Peregrinação a Fátima com o grupo padeirinhas sobre rodas, maratona LAAC de Agueda, passeio cicloturistico de terras de La Salette, portanto fica atento ao nosso site!